Constróis-me um castelo, abres-me a porta e fazes-me entrar. Eu rodo de braços abertos e fecho os olhos. Aqui vou ser feliz. Depois, fazes-me rir e chorar. Ficar nervosa. Gritar palavras estúpidas. Fazes-me correr para longe de tudo. Dás-me a tua mão e eu aceito as desculpas. Não faz mal, limpo as lágrimas e volto para o castelo. Depois fazes-me rir e chorar. Empurrar-te com toda a força. Chamar-te nomes. Rasgar tudo o que é teu. Há momentos em que a culpa é sempre tua. Fazes-me pensar em coisas, não me deixas dormir e nem acordar no dia seguinte. Quero fugir e tu não deixas. Empurras-me lá para dentro. Gosto das tuas camisolas. Dos teus lábios perfeitos. Das tuas mãos em mim. Do doce que consegues ser. Só que me fazes chorar sempre que decido não chorar mais. Tiras-me as forças que aprendi a ter. E não respondes às minhas mensagens. Fechas a porta e tens de ir. Fico sozinha no castelo grande. Para quê tanta coisa se depois ninguém quer viver lá dentro. Dói-me a cabeça. Não consigo dormir. Tomo comprimidos. Escrevo sobre tudo e nem consigo dizer tudo. Gosto do teu abraço. Sorrimos. E depois choramos. Só mais uma vez. Não vai voltar a acontecer, pois não? Para a próxima pede-me para ficar porque não me queres sozinha.
Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
ELE
Construi-lhe um castelo e quis que ela entrasse. E entrou. Devagarinho e bonita. Olhou-me nos olhos e disse-me que ali seria feliz. Felicidade era o que mais queria dar-lhe. Depois começou a gritar, a dizer que eu não prestava para nada. Fez-me conduzir feito doido sem saber para onde ir. Chorar com raiva das suas palavras. Ela quer ir embora e eu deixo. Não faz mal, limpo os lágrimas e digo que nunca mais. Mas gosto dos sorrisos dela. Do cabelo claro e aos caracóis. Da fragilidade que esconde ter e me faz querer abraça-la muito. Mas grita-me sempre. Finjo nem ligar e puxo-a para perto de mim. Depois ela insulta-me e manda-me embora. Abre-me a porta para sair e depois chora por estar sozinha. Não me deixa lá estar. Não vou porque quero. Aquele castelo construi para nós. Não atende as minhas chamadas por birra. Preocupo-me com as suas insónias e as malditas dores de cabeça. Mas tem sempre de gritar e dizer que não presto. Quando sei que sou importante para ela.
Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Estamos a vida toda à espera do momento em que nos vamos apaixonar...
…e quando isso acontece temos saudades do tempo em que tínhamos controlo sobre tudo.
Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008
Tatuagem

Entraste na minha vida sem eu contar, e deixaste um rasto impossível de apagar. É um rasto da cor da paixão, marcado a ferro e fogo... És assim, como uma tatuagem que nunca vai sair, uma tatuagem que me magoou tantas vezes que não me chegam os dedos para contar, tantas que te devia esquecer. Mas não consigo, permaneces na minha vida com o teu rasto. Vais e voltas. Contigo trazes sempre um equilíbrio desequilibrado até onde eu deixo. Insistes e não desistes. Quando te dou de mim, sofro. Fico em desassossego que tanto me faz viver como sofrer. É esta angústia que não sei se é provocada por ti, se é de mim...
Às vezes partes tu. E às vezes parto eu. Depois procuras-me, porque gostas de mim. Porque afinal gostas de mim desde o dia que conversámos pela primeira vez. Eu nunca te procuro, mas quero-te sempre. É um sentimento que só eu entendo, que a ninguém sei explicar e há as coisas que tu nunca entendeste, mas que eu sei ler nos teus olhos. Há coisas assim, que não se explicam, sentem-se e ouvem-se ao sol...
Barcelos, 5 de Agosto de 2007
Às vezes partes tu. E às vezes parto eu. Depois procuras-me, porque gostas de mim. Porque afinal gostas de mim desde o dia que conversámos pela primeira vez. Eu nunca te procuro, mas quero-te sempre. É um sentimento que só eu entendo, que a ninguém sei explicar e há as coisas que tu nunca entendeste, mas que eu sei ler nos teus olhos. Há coisas assim, que não se explicam, sentem-se e ouvem-se ao sol...
Barcelos, 5 de Agosto de 2007
Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
"Aquilo a que muita gente chama amar consiste em escolher uma mulher e casar-se com ela. Escolhem-na, juro-te, eu vi-os fazerem-no. Como se se pudesse escolher no amor, como se o amor não fosse como um raio que te parte os ossos e que te deixa petrificado no pátio. (...) Não se pode escolher Beatriz, não se pode escolher Julieta. Tu não escolhes a chuva que te vai ensopar até aos ossos quando sais de um concerto."
in O Jogo do Mundo (ed. Cavalo de Ferro)
in O Jogo do Mundo (ed. Cavalo de Ferro)
Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008
Simplificar
Sei que sou uma pessoa de ideias emaranhadas, assim um bocado como os meus caracóis… Tenho imensas ideias em turbilhão, a entrelaçarem-se umas nas outras na procura de uma qualquer resposta e resultando, inevitavelmente, em mais uma pergunta.
Gosto de pensar em mim como sendo uma pessoa simples mas se calhar não sou, não sou pessoa de ideias simples e, definitivamente, não sou pessoa de emoções simples.
Hoje alguma coisa em mim despertou e disse “basta, apartir de agora vou simplificar". E estou pasmada com a força deste verbo.
Acumulei muito lixo ao longo dos anos - material e não só - e eu decidi livrar-me dele, desintoxicar-me de toda a tralha que me atravanca a casa, a arrecadação e a cabeça.
Vou perder a conta aos sacos de lixo que vou reciclar e deixar no contentor e a outros tantos que distribuirei por quem deles mais precisa – roupa, bijuteria, loiça, livros que não faço questão de ter, revistas, tralha e mais tralha que nunca usei, nem vou usar.
O “simplificar-me” é um processo mais longo que, com tudo o que de bom traz, obriga-me também a aprender a ser e a fazer coisas que não são fáceis...
Aprender a ser mais egoísta e a não preocupar-me só com os outros, aprender a largar pessoas, umas porque tem de ser, outras porque não me interessam para nada, aprender a fazer amigos novamente, aprender a dar tempo aos que sempre estiveram lá por mim. Aprender a disciplinar as horas, a alimentação, o exercício físico, os pequenos prazeres que fazem parte dos dias e que fazem com que valham a pena.
É um desafio a mim mesma, é um "ver se sou capaz" que me vou repetir vezes sem conta… Depois escrevo a contar como foi! ;)
Gosto de pensar em mim como sendo uma pessoa simples mas se calhar não sou, não sou pessoa de ideias simples e, definitivamente, não sou pessoa de emoções simples.
Hoje alguma coisa em mim despertou e disse “basta, apartir de agora vou simplificar". E estou pasmada com a força deste verbo.
Acumulei muito lixo ao longo dos anos - material e não só - e eu decidi livrar-me dele, desintoxicar-me de toda a tralha que me atravanca a casa, a arrecadação e a cabeça.
Vou perder a conta aos sacos de lixo que vou reciclar e deixar no contentor e a outros tantos que distribuirei por quem deles mais precisa – roupa, bijuteria, loiça, livros que não faço questão de ter, revistas, tralha e mais tralha que nunca usei, nem vou usar.
O “simplificar-me” é um processo mais longo que, com tudo o que de bom traz, obriga-me também a aprender a ser e a fazer coisas que não são fáceis...
Aprender a ser mais egoísta e a não preocupar-me só com os outros, aprender a largar pessoas, umas porque tem de ser, outras porque não me interessam para nada, aprender a fazer amigos novamente, aprender a dar tempo aos que sempre estiveram lá por mim. Aprender a disciplinar as horas, a alimentação, o exercício físico, os pequenos prazeres que fazem parte dos dias e que fazem com que valham a pena.
É um desafio a mim mesma, é um "ver se sou capaz" que me vou repetir vezes sem conta… Depois escrevo a contar como foi! ;)
Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
AGORA!
"Quero brilho dos olhos, e viragens repentinas do irredutível, viagens ao outro lado do mundo por apenas um fim de semana, amor de rebentar botões de camisas, cafés olhos nos olhos e gargalhadas cúmplices. Quero sorte das estrelas, passos firmes, e o teu cheiro para sempre no meu cabelo."
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